Desde este último embate joguei tudo para o alto. Tentei fazer de tudo para esquecer completamente Lisbela. Fui para a roça, para um sítio que consegui comprar com um pouco de dinheiro do meu trabalho somado com minhas economias. Me isolei do mundo. Fugi da realidade. Reergui uma velha frase usada há tempos pelos árcades: Carpe Diem.
Carpe Diem. Uma pequena grande frase. A partir do momento em que resolvi tirar Lisbela de minha vida amorosa, percebi que sofria à toa. Percebi que estava deixando de lado várias coisa mais saudáveis do que ficar chorando a dor de um amor não correspondido. Percebi que havia um longo caminho para eu trilhar, e que eu não devia mais ficar deixando de aproveitar cada momento do dia, aproveitar cada momento da noite, aproveitar cada momento da minha vida, que se passara com um raio desde então. Estava coim um grande problema nas mãos. Carpe Diem ou o amor de sua vida?
Infelizmente eu queria os dois. Acho que qualquer pessoa também escolheria as duas coisas. Mas isto era impossível, porque, para eu aproveitar a vida ao lado de Lisbela, Dito Cujo teria de sair da história, o que provavelmente é difícil de acontecer, pois um desencorajado como este não é capaz de lutar por isso. Porém, se eu deixar isso de lado poderei viver o resto de meus dias na plenitude!
Na roça, tudo era alegria, tudo era explendor. Não tinha a necessidade nem de ir à cidade, pois já tinha tudo: comiga, roupas, abrigo, sossego, PAZ! Os únicos dias em que eu ia à cidade eram os dias da Santa Missa, que era Celebrada numa comunidade rural próxima dela. Era lá que me revitalizava. Eu era e sou muito crente nos dogmas cristãos, e acredito fervorosamente neles. Por isto, eu me sentia leve quando me ajoelhava aio confessionário; me sentia santo ao receber a Eucaristia; me sentia fiel ao rezar. E voltava à minha choupaninha muito mais feliz, muito mais Romântico e encantado pela vida! Vamos ver até quando isso dura... Ó Carpe Diem; Ó Carpe Diem!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Cores

Aparentemente não tinha nada de extraordinário, não parecia merecer destaque, não parecia ser diferente e nem parecia ser importante pra que alguém contasse sua história.
Era um menino normal. Gostava de catar minhocas e de soltar pipa. Não gostava de matemática, nem de jiló e nem de coisas azedas. Às vezes faltava aula e ficava jogando futebol na rua. Gostava muito de maria mole e mais ainda da Maria, meninasinha risonha, filha do padeiro.
Mas tinha uma mania engraçada, mania que era mais do que gostar e era melhor do que todas as coisas. Era melhor do que limonada, melhor do que maria mole e a Maria juntas. Era uma mania danada de observar. Observava as pessoas, as paisagens, as minhocas e o moço que passava à tardinha com aquela máquina de fazer pipoca. Mas não eram bem as pessoas, não eram bem as paisagens, não eram bem as minhocas ou as pipocas. Eram as cores. Ele observava as cores. Todas elas. E é bem aí que a gente tem vontade de contar sua história. Tem vontade de falar dele. Porque ele tinha olhinhos de pintor. Se sentia eufórico a cada tonalidade, a cada nova cor. Não observava e nem achava bonito apenas o começo ou o fim do dia quando as cores se fundem em milhares de tonalidades inebriantes. Gostava de observar o branco da pipoca sendo coberto pelo amarelo amarronzado do caldo de cana, e o branco de farinha na cara da Maria que era toda pretinha. Adorava quando a noite ia chegando e o céu ficava quase lilás com uma estrela brilhando sozinha entre as nuvens. Se deliciava quando chegava seu aniversário e a mãe preparava pra ele um bolo de fubá amarelinho coberto de coco branco e colocava bem no meio uma flor rosada do quintal. Às vezes, e torcia para que sua mãe jamais soubesse, cobria a mão de barro e prensava com força na parede branquinha do fundo de casa. E ficava observando o marrom e o branco... e o verde da grama, e o preto do gato, e o azul do céu e o cinza do muro com o violeta da flor.
Estava convencido de que existia um pintor muito caprichoso que combinava todas aquelas cores, e jamais errava nos tons, jamais misturava cores descombinantes. E punha tudo alí, só pra gente olhar e achar bonito.
Um dia o menino dos olhinhos de pintor conheceu um moço muito curioso. Era um moço que não via cores. Contou pro menino que tinha experimentado alguns jilós e coisas azedas pela vida e que agora tudo era cinzento.
O menino foi embora cabisbaixo. Esperou a noite chegar e deitou. Mas não dormiu. Ficou pensando no homem que não via cores. Decidiu que aquilo estava muito errado e resolveu mostrar ao homem algumas coisas.
Mostrou-lhe a pipoca e o melado. Mostrou-lhe o amanhecer, o anoitecer e o entardecer. Mostrou-lhe as flores e o muro e o gato e o bolo de fubá. Foi chamando a atenção do homem a cada nova tonalidade. Por último mostrou-lhe o mais bonito. A Maria. Brincava sentada no chão do lado do padeiro. Toda pretinha com a cara suja de branco, e ao lado, como que por obra do pintor misterioso, uma maçã, uma maçã bem vermelha.
O menino sentou o homem, e falou pra ele, bem baixinho, de pé de ouvido. Falou sobre o pintor. Contou que ele era muito cuidadoso e que pintava tudo aquilo pra que a gente visse, pra que a gente gostasse, pra que a gente se sentisse feliz. Falou num tom muito sério e depois saiu correndo.
O homem foi embora, pensando que aquele menino era doido, pensando em todas as asneiras que ele tinha dito e reparando como estavam amarelos os girassóisnaquela primavera.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Minhas Apresentações
Olá! Meu nome é Alice e venho representar a pare aleatória do blog-muitas vezes inútil , talvez, mas o que seria da vida sem uma inutilidade de vez em quando?
Sou nova por essas bandas e só publique um post aqui por enquanto, mas afinal, ¨que tipo de colunista é essa que aparece do nada sem dizer quem é nem nada do gênero? Quem ela pensa que é?¨
Por isso, para impedir alguma e qualquer calúnia sobre minha pessoa, irei me apresentar:
Tenho 17 anos, cabelos cacheados, pele negra, lindo sorriso, maravilhosos olhos e uma modéstia que só eu
xD
Adoro ler , cozinhar ( mas não gosto de limpar a bagunça que fica atrás de mim, e pode acreditar que não é pouca), adoro dias de sol mas nem um pouco de amendoim.
Meu sonho ultimamente tem sido publicar um livro. Espero consegui-lo antes de mudar de ideia...Mas venho praticando minha escrita no meu blog que, tadinho, ultimamente está com mais teia de aranha do que o túnel de Cirith Ungol. Mas enfim...
Bom, essa, em resumo, sou eu! Obviamente não vou ficar assumindo meus defeitos em um blog público como esse ( principalmente porque poderão usar isso contra mim depois), então fiquem com minha imagem idealizada.
Um beijo para vocês todos e qualquer dúvida, comentem!
Ps: Tenham um feliz ano novo!!
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
LISBELA E O ROMÂNTICO - DA REFLEXÃO A CONCLUSÃO?
Passaram-se três dias depois do abraço. Eu já não era a mesma pessoa, afinal, um pouco de minha timidez havia sido rompida por aquele gesto de amor (pelo menos de minha parte era). E nestes três dias resolvi que devia refletir. Que deveria sair da rotina pesada do cotidiano da cidade e me isolar para pensar um pouco nesta aventura amorosa que meu coração arriscava continuar. O local logo foi escolhido: a fazenda de meus avós!
Um local simples e acolhedor, no meio da mata! Assim como eu sonho estar com Lisbela um dia, se Papai e Mamãe do Céu permitirem! Sempre vou lá, aliás, toda a minha vida está gravada naquele solo fecundo de amor e histórias. Lá cresci e quero sempre continuar a crescer, com a experiência de meus antepassados. Assim como Lisbela, adoro natureza - um local de tranquilidade, ideal para se refletir sobre a vida. Logo que lá cheguei, a alegria já se contagiou por toda casa. E fiquei ainda mais edificado de poder passar estes tão poucos dias com minha avó e meu avô. Mas não tinha tempo para conversas, e acho que eles entenderam.Precisava de um local manso, silenciado. Como havia um morro com uma mata, para lá fui. No muro histórico, construído por escravos no período imperial, sentei-me. Fique lá por horas, após recitar o Rosário, pois a vontade era tanta que o levei comigo para lá. A calmaria era tanta que pensei em nunca mais voltar para a cidade.
Pensei mesmo em deixar a cidade, com seus barulhos e poluições. Sempre sonhei com aquilo. Pensei até mesmo em deixar minha história com Lisbela e seguir meu rumo na calmaria do campo, afinal, Dito Cujo ainda não saiu da história e se, e quando sair, será tarde demais. Pensei nas possibilidades desta separação, e pareciam ínfimas. Fui perdendo as esperanças. Parecia que naquele momento eu começava a ter uma sombra de conclusão desta história de amor. Pensei em Lisbela, e imaginei se o amor que sentia por el era correspondido, ou era só mais uma ilusão para a minha vida. Também pensei na possibilidade de ela estar com medo de deixar Dito Cujo. O sentido de esperar por ela foi indo embora, sem direção, assim como uma folha é tocada pelo vento sem direção. Eu não sabia mais para onde e por onde ir.
Um local simples e acolhedor, no meio da mata! Assim como eu sonho estar com Lisbela um dia, se Papai e Mamãe do Céu permitirem! Sempre vou lá, aliás, toda a minha vida está gravada naquele solo fecundo de amor e histórias. Lá cresci e quero sempre continuar a crescer, com a experiência de meus antepassados. Assim como Lisbela, adoro natureza - um local de tranquilidade, ideal para se refletir sobre a vida. Logo que lá cheguei, a alegria já se contagiou por toda casa. E fiquei ainda mais edificado de poder passar estes tão poucos dias com minha avó e meu avô. Mas não tinha tempo para conversas, e acho que eles entenderam.Precisava de um local manso, silenciado. Como havia um morro com uma mata, para lá fui. No muro histórico, construído por escravos no período imperial, sentei-me. Fique lá por horas, após recitar o Rosário, pois a vontade era tanta que o levei comigo para lá. A calmaria era tanta que pensei em nunca mais voltar para a cidade.
Pensei mesmo em deixar a cidade, com seus barulhos e poluições. Sempre sonhei com aquilo. Pensei até mesmo em deixar minha história com Lisbela e seguir meu rumo na calmaria do campo, afinal, Dito Cujo ainda não saiu da história e se, e quando sair, será tarde demais. Pensei nas possibilidades desta separação, e pareciam ínfimas. Fui perdendo as esperanças. Parecia que naquele momento eu começava a ter uma sombra de conclusão desta história de amor. Pensei em Lisbela, e imaginei se o amor que sentia por el era correspondido, ou era só mais uma ilusão para a minha vida. Também pensei na possibilidade de ela estar com medo de deixar Dito Cujo. O sentido de esperar por ela foi indo embora, sem direção, assim como uma folha é tocada pelo vento sem direção. Eu não sabia mais para onde e por onde ir.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
LISBELA E O ROMÂNTICO - UM ABRAÇO
Voltei para casa. Ao ligar o chuveiro para tomar banho, vendo que a água quente caía sobre meu corpo cansado, deixei de me esfregar e fiquei ali, parado, deixando a água correr e contribuindo para que ela, um dia (se é que isso vai acontecer) acabe. Mas não me importava muito em pensar em nada e em ninguém naquele momento, apesar de ser um pouco esquerdista. Queria somente relaxar minha cabeça e afastar meu pensamento de Lisbela e de Dito Cujo, que de vez em sempre, atormentava minha mente com suas aparições. Depois do banho, deitar-me fui.
No outro dia, como de costume, fui para a escola e lá dei-me com Lisbela sentada uma carteira à frente da que eu costumava sentar. Achei ótimo, pois, já que não converso muito com ela, poderia sentir a energia que emanava do seu coração, invadindo, mesmo que indiretamente, o meu. E ali fiquei sentado, olhando seus cabelos negros em meu caderno; contemplando o feixe de luz de um sol típico da manhã invadindo aquela sala lotada de alunos. Professor entra, professor sai; aulas e mais aulas. Não conseguia prestar atenção em uma só palavra do que cada um dizia, só queria concentrar-me em meu coração, ligado, pelo menos naqueles pequenos intervalos de tempo, ao de Lisbela.
Só poderia ser obra divina, eu e Lisbela numa situação de alegria juntos. Bem, já temos sempre os mesmos pontos de vista, mas não tantos quanto percebi hoje. Depois das aulas que matavam não só a nós dois, mas às dezenas de alunos que lá estavam, fomos juntos embora. Sempre íamos juntos pelo mesmo caminho, afinal de contas, era o caminho até o comércio de minha família esquinada com a rua da casa dela. E lá nos despedíamos na simplicidade. E naquele dia, tentei fugir do norma e tomei uma pequena atitude mais romântica: UM ABRAÇO.
Abraços meus são raríssimos. Nem minha amada mãe sou de abraçar. Não gosto muito de apegos, beijos e outras lambanças. O que realmente me importa são as pequenas e fortes palavras que alguém pode me dizer. Lisbela não dizia, bastava seu olhar azul cruzar o meu verde-água para que, em meu coração, ecoassem e doçura de sua eloquência. E é o que me apazigua! O que me apascenta e me acalma. Sua voz fina entrando pelos meus tímpanos e explodindo com amor no coração. E por isso queria romper toda a minha timidez, ou ao menos um pouco dela, para poder me aventurar a passar meu amor através de um gesto mais concreto do que um olhar. E assim o fiz. Rápido, mas o fiz. E foi nele que liberei meu amor de um ano e meio de expectativas. Esqueci-me de tudo. De casa, escola, família, até mesmo de Dito Cujo. Aliás, não me importo muito com ele, pois nem o conheço e não faço questão de fazê-lo. O que me importa é o coração de Lisbela aberto, respirando o meu amor e deixando ele entrar, pelo menos para que ela o sinta e partilhe um pouco dele.
E assim, cada um foi para a sua esquina. E só restou a certeza de nos vermos no outro dia no mesmo local, ou de eu tentar fitá-la ao pôr-do-sol novamente!
No outro dia, como de costume, fui para a escola e lá dei-me com Lisbela sentada uma carteira à frente da que eu costumava sentar. Achei ótimo, pois, já que não converso muito com ela, poderia sentir a energia que emanava do seu coração, invadindo, mesmo que indiretamente, o meu. E ali fiquei sentado, olhando seus cabelos negros em meu caderno; contemplando o feixe de luz de um sol típico da manhã invadindo aquela sala lotada de alunos. Professor entra, professor sai; aulas e mais aulas. Não conseguia prestar atenção em uma só palavra do que cada um dizia, só queria concentrar-me em meu coração, ligado, pelo menos naqueles pequenos intervalos de tempo, ao de Lisbela.
Só poderia ser obra divina, eu e Lisbela numa situação de alegria juntos. Bem, já temos sempre os mesmos pontos de vista, mas não tantos quanto percebi hoje. Depois das aulas que matavam não só a nós dois, mas às dezenas de alunos que lá estavam, fomos juntos embora. Sempre íamos juntos pelo mesmo caminho, afinal de contas, era o caminho até o comércio de minha família esquinada com a rua da casa dela. E lá nos despedíamos na simplicidade. E naquele dia, tentei fugir do norma e tomei uma pequena atitude mais romântica: UM ABRAÇO.
Abraços meus são raríssimos. Nem minha amada mãe sou de abraçar. Não gosto muito de apegos, beijos e outras lambanças. O que realmente me importa são as pequenas e fortes palavras que alguém pode me dizer. Lisbela não dizia, bastava seu olhar azul cruzar o meu verde-água para que, em meu coração, ecoassem e doçura de sua eloquência. E é o que me apazigua! O que me apascenta e me acalma. Sua voz fina entrando pelos meus tímpanos e explodindo com amor no coração. E por isso queria romper toda a minha timidez, ou ao menos um pouco dela, para poder me aventurar a passar meu amor através de um gesto mais concreto do que um olhar. E assim o fiz. Rápido, mas o fiz. E foi nele que liberei meu amor de um ano e meio de expectativas. Esqueci-me de tudo. De casa, escola, família, até mesmo de Dito Cujo. Aliás, não me importo muito com ele, pois nem o conheço e não faço questão de fazê-lo. O que me importa é o coração de Lisbela aberto, respirando o meu amor e deixando ele entrar, pelo menos para que ela o sinta e partilhe um pouco dele.
E assim, cada um foi para a sua esquina. E só restou a certeza de nos vermos no outro dia no mesmo local, ou de eu tentar fitá-la ao pôr-do-sol novamente!
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